Estou melhorando

Assim como um céu em dias nublados, foram assim esses últimos meses. Eu mal me levantava da cama, pra gritar infortúnios sobre a merda da vida que estava (ou será que ainda estou?) levando, eu chorava naquele versinho daquela música, era um “Come rain down on me” que me abalava de modo que eu não conseguia me segurar. Eu estava fragilizado, tudo era escuro e eu não queria sair de lá, só queria ficar lá preso naquele versinho enquanto a chuva caia em mim, gelada.

Eu meio que perdi o controle das coisas, deixei pessoas que me importavam demais se afastassem, mudei com meus amigos. As pessoas começaram a me ligar: “Henrique, você sumiu, por que não vem mais em casa?”. E eu não sabia o que estava acontecendo, em meio à brigas com meu irmão, dos problemas financeiros que minha família está passado, eu olhava pra frente e me esforçava pra me manter otimista. Eu, logo eu que sempre via o lado positivo das coisas e estava sempre ali pra ajudar os amigos em suas recentes perdas pessoais, me vi com dificuldades em me tornar positivo, me segurava por uma corda tão fina quão fio de cabelo, e logo ela não pôde mais me segurar.

Minha mãe olhava pra mim com tristeza: “Você emagreceu muito”. E de fato isso aconteceu, eu perdi 11 quilos. Eu não sentia vontade de me alimentar direito, perdi a vontade de viver em alguns momentos e tutoriais de “como se matar de forma indolor” passaram pelo meu histórico do navegador com alguma frequência. “Minha mãe vai ficar feliz de se livrar do fardo que eu sou na vida dela”, eu pensei. Era assim que eu me via, um tipo de peso morto sendo levado pelo caminhão de lixo, alguém sem expectativas nem ambições. Eu já não queria levantar.

Há poucos dias ouvi coisas terríveis: “Você não serve para nada, só para dar o cu por aí”, “Eu vou te arrebentar na porrada”,”Você não faz nada da vida”, isso e algumas outras coisas foi meu irmão quem disse. Nunca tivemos um relacionamento considerado bom, mas eu não esperava ouvir coisas tão horríveis sendo ditas pra mim. Chorei escondido no canto do banheiro, enquanto fantasiava sobre o dia em que não irei mais precisar olhar nem falar com essa pessoa de novo. Não aguentei por muito tempo e corri pra fora de casa, ainda chorando. Eu queria e precisava de um ombro amigo.

Na casa dessa amiga fui consolado mais uma vez, o namorado dela nunca foi alguém tão próximo de mim, mas ainda assim ficou irritado a ponto de querer ir em casa “ter uma conversa” com meu irmão. Eu ri, foi bom saber que há pessoas se importam comigo. Conversamos sobre o assunto e ando um pouco mais otimista desde então. Tudo vai melhorar.


Oi, desculpa se eu deixei alguém um pouco mal com esse texto, mas existem coisas que precisam ser ditas. E quando eu criei esse blog a ideia era dizer o que eu quisesse sem encher o saco dos outros com textão no FB, e já que eu sempre fui uma pessoa muito tímida e não costumo falar muito pareceu uma ideia interessante de me expressar. E ouçam Radiohead, ou não. Até mais.

 

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